Chamo este blog de Impressões, pois nele quero compartilhar o que tem sido gravado em meu caráter pelo meu caminhar com Deus, minhas percepções das Escrituras, minha visão de Reino e meu entendimento do que é ser Igreja de Jesus Cristo.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Evangelho e ação
Não há Evangelho, se não houver ação. A comissão dada por Jesus aos discípulos foi: partam, e por onde forem, sejam meus agentes deixando um rastro de vida pelo caminho. Esta é a base do amor de Deus, não fundamentado em sentimentos, mas em obediência e ação. Assim foi Jesus, homem, obediente até a morte, conforme nos fala Paulo, em sua carta aos Filipenses 2:8. E é isso que nos fala o Evangelho do Reino, que não se faz na clausura, vai além das paredes dos templos. É na rua, no chão do sofrimento alheio, na desesperança do cansado, na busca do sedento. Quantos estão assim? Basta olhar ao lado. Evangelho que não barganha, que não faz concessões, que não tem o errado pelo certo, que não se amolda aos modismos, que olha para a cruz. Ser discípulo de Jesus não é confortável; somos incomodados a agir, impelidos para além das "zonas de conforto", em favor do outro. Qualquer pensamento contrário, faz parte das "doutrinas estranhas". Você é discípulo de Jesus? Então, vá. E pelo seu caminho faça outros discípulos de Jesus, através do rastro de vida que você vai deixar. Evangelho é isso: a boa nova, a grande notícia de que a vida está entre nós, disponível a nós, operante em nós e agente através de nós.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
O amanhã trará os seus cuidados
"...o amanhã trará
os seus cuidados..." Mt 6:34
Quem ainda não sentiu
ansiedade em relação ao dia de amanhã? Quem ainda não sentiu o peso da
incerteza do porvir?
Numa rápida definição,
ansiedade é uma característica que acontece ao ser humano diante do perigo real
ou imaginário, causando medo e alterações emocionais, psíquicas e físicas.
A ansiedade é inútil; faz
adoecer alma e corpo e multiplica a dose de sofrimento à vida. Luta contra a
auto-estima, pode levar à depressão e a um vasto número de sintomas e
consequências. Tudo pela incerteza quanto ao futuro e a incapacidade de
controla-lo.
A ansiedade não altera o
quadro da vida, nem traz luz sobre questionamentos sombrios.
A ansiedade modifica o
caráter do presente pela incerteza do amanhã, manifestando-se no esforço humano
em solucionar questões que estão além de sua capacidade, que ultrapassam os
limites de seu domínio, o que cabe única e exclusivamente ao Criador.
Nós não temos poder para
controlar o incontrolável; mesmo assim, não medimos esforços para buscar o que
não será alcançado. Esse papel não é nosso. Somente Deus, em Sua soberania e divindade,
tem a visão e o controle do macro da vida.
Precisamos desviar os
olhos das preocupações e fixar a atenção nos cuidados do Pai. Ele, sim, pode
dizer "haja vida" sobre nossos problemas e inquietações, sobre nossas
dores e insanidades, sobre o que nos aflige e tira o sono.
Jesus alertou os
discípulos para que não perdessem o sossego, a paz, quanto ao que pode, ou não,
acontecer, pois qualquer que fosse a circunstância Ele estaria lá, com eles. E,
assim, conosco!
O apóstolo Paulo ensina:
"Assim, fixamos os olhos, não
naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que não se vê é transitório,
mas o que não se vê é eterno." (II Co 4:18)
O Rei Davi, também: "Entregue o seu caminho ao Senhor,
confie nEle e Ele agirá... descanse no Senhor e aguarde com paciência..."
(Sl 37:5,7)
Não significa que
devemos descuidar de nossas responsabilidades, mas confiar que Ele detém o
poder e o controle sobre todas as coisas.
Confiança é um depósito
de valor; é depositarmos sobre Ele aquilo que nos é mais caro: nossa vida, nossos
sonhos, nossos planos, nosso coração. E este é o resultado de uma vida de
comunhão com o Senhor; de quem caminha com Ele em todo o tempo; de quem reconhece
a limitação humana e o deslimite de Deus. Esse é o convite que Ele nos faz:
desfrutarmos da Sua paz, a despeito das circunstâncias que a vida impõe.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Adoração
Adoração a Deus não é um momento de culto, realizado no ajuntamento. Isso é celebração coletiva, que tem o seu lugar e momento, numa festa de gratidão e engrandecimento pelo que Ele é. Adoração é viver em comunhão com Deus 24 horas por dia, percebendo Sua presença, entendendo Sua direção, discernindo Sua vontade, pondo em prática Sua Palavra. É viver na rotina da vida, um relacionamento de proximidade com Deus ao ponto de chama-Lo de amigo. É esse tipo de relacionamento para o qual Deus nos convida. Um relacionamento de intimidade, a quem se revela os mais secretos segredos, sem medo ou ressalvas. Quanto mais nos entregarmos a essa relação de amor, mais seremos transformados à Sua imagem. Adorar é reconhecer Sua superlatividade. Superlatividade em amor.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
O que você quer que eu lhe faça?
"O que você quer que eu lhe faça?" – Jo 10:51 (NVI)
Diante da oportunidade que Jesus, em Sua graça, nos oferece diariamente, qual é a nossa grande ambição de mudança na vida?
Marcos registra esse episódio, que se repete nos outros sinóticos, com um pouco mais de detalhes. Jesus estava dirigindo-se para Jerusalém com Seus discípulos, seguidos por uma grande multidão. Ao passarem por Jericó, um mendigo, cego, conhecido pelo povo, ao ouvir que se tratava de Jesus, começou a gritar, desesperadamente:
– "Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!"
Interessante o fato de Marcos ter tido o cuidado de nomear a família – Bartimeu, filho de Timeu –, identificando-o como uma personagem histórica, gente conhecida pela comunidade. Lembrando: esse evangelho, que foi a base para Mateus e Lucas, foi escrito por Marcos, primo de Barnabé, (parceiro de Paulo e Pedro nas viajens missionárias) entre os anos 50 e 70 DC, posterior a várias cartas de Paulo e outros textos que circulavam nas igrejas. A família de Bartimeu, provavelmente fazia parte da igreja de Jerusalém e era um testemunho vivo e ocular da ação salvífica de Jesus de Nazaré.
Voltando ao episódio, com seu clamor insistente, Bartimeu foi repreendido pelo povo (não pelos discípulos). Seus gritos incomodavam aqueles que queriam as atenções do Mestre para si, não se importando com a realidade daquele homem com deficiência física, um transtorno, um escória desprezível.
Jesus não o desprezou. Pelo contrário, Ele identificou sua angústia do meio da multidão! Jesus fez parar o cortejo que Lhe dava glória, para atender alguém, para outros, insignificante. Muitas vezes essa glória dada é motivada pelo interesse, pelo desejo de "sair na foto com o ilustre", pela adulação, ou ainda por aqueles que buscam quem lhes satisfará os desejos, os interesses, as ambições que visam "o eu”. Eles estavam buscando o curandeiro, o doador, o distribuidor de favores.
Bartimeu estava buscando Aquele que poderia salvar-lhe e Jesus ouviu o clamor do seu coração!
"Então invoquei o nome do Senhor, dizendo: Ó, Senhor, livra a minha alma." Sl 116:4 (NVI)
"Ele livrará ao necessitado que clamar". Sl 72:12 (NVI)
Foi a multidão que queria que ele se calasse que lhe disse: "Ânimo, coragem, alegre-se, Ele ouviu seu clamor".
A alegria, a esperança, encheram seu coração e ele levantou-se com um salto. Ele livrou-se de sua túnica, como que querendo desvencilhar-se de tudo o que poderia impedí-lo de dirigir-se ao Senhor. Diferente da multidão, Bartimeu reconheceu Jesus em Sua humanidade e divindade, quando o chamou de Filho de Davi, e como o Ungido, quando identificou Sua procedência de Nazaré, citando uma referência profética. Ele também o chamou de "Raboni", uma versão mais completa de "Rabi", que significa "meu Mestre”. Ele sabia quem era Jesus! Sabia que estava diante de quem poderia salvar-lhe.
Sua necessidade era óbvia, mas Jesus perguntou-lhe: "O que você quer que eu lhe faça?” Jesus queria que Bartimeu expressasse o desejo de seu coração – nisso está a questão da fé, da esperança, das aspirações, de onde está "o tesouro".
A resposta foi: "Meu Mestre, eu quero olhar para cima; poder tornar a ver!” Ele poderia ter pedido muitas coisas; mas o que estava no seu coração, após reconhecer Jesus, era olhar para o Pai. Jesus, a luz do mundo, lhe trouxe luz para a vida.
Podemos tirar muitas lições desse texto, mas chamo a atenção para a pergunta de Jesus: "O que você quer que eu lhe faça?" Imagine se você estivesse diante de Jesus, hoje, e Ele lhe olhasse nos olhos e fizesse essa pergunta, qual seria sua resposta?
Tentei e continuo tentando apontar qual área de minha vida que eu gostaria de apresentar ao Senhor dizendo: Senhor, por favor, mude isso...
Quero dizer, qual é, ou quais são, as minhas ambições de mudança na vida?
São as que ao serem mudadas, mudam o meu ser, ou são aquelas que mudam apenas a aparência, o superficial, o passageiro, o desejo ou necessidade momentânea?
Jesus, com Sua graça, nos oferece oportunidades todos os dias. Oportunidades de comunhão com Ele, arrependimento, quebrantamento, santidade, cura, vitória sobre o pecado...
E, também, de sonhos, realizações, conquistas de acordo com Sua vontade e soberania.
Diante da oportunidade que Jesus nos concede, que resposta você pode dar ao Senhor: –"O que você quer que eu lhe faça?"
Pense nisso.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Em busca do essencial
O que é realmente essencial em nossa vida? Nos nossos dias o mal que assola a maioria é a ansiedade e a busca de algo que preencha a vida.
Vivemos tempos da "coisificação":
• a adoração a coisas – profissão, status, bens, dinheiro...
• a transformação de pessoas em coisas – dá-se pouco, ou nenhum, valor ao próximo
A ansiedade de buscar sabe-se lá o quê! Por que se corre tanto atrás de futilidades, de valores passageiros? Não importa, o que vale é continuar correndo, pra não ficar pra trás. A fila anda!
Todos vivem debaixo de grande pressão. No trabalho, no trânsito, nas ruas, nos relacionamentos...
Por volta de 2740 anos atrás, Deus falou através de Isaías ao povo que o abandonou em busca de coisas fúteis.
"Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz?" – Is 55:2 (NVI)
Contextualizando a nós, essa passagem poderia dizer: "Você acredita mesmo que a sua correria vai trazer-lhe alguma satisfação?"
O que é, de fato, essencial a nós? A resposta está no próprio capítulo 55, de Isaías. O texto começa falando: "Venham todos vocês que estão com sede, venham às águas...".
Há um paralelo entre esse texto e o discurso de Jesus, em Jo 7:37: "Se alguém tem sede, venha a mim, e beba."
Ambos falam de:
• um evangelho de graça: "sem dinheiro, sem preço" (vs.1)
• um evangelho de fé: "ouvi e a vossa alma viverá" (vs.2b)
• um evangelho de gozo: "vocês sairão em júbilo" (vs.12)
• um evangelho frutífero: "no lugar do espinheiro, crescerá o pinheiro" (vs.13)
• o evangelho de Jesus Cristo: "os que O procuram, acham; os que O invocam recebem misericórdia e perdão" (vs. 6,7)
Somente em Jesus Cristo encontramos a saciedade para o vazio da alma.
Vivemos tempos da "coisificação":
• a adoração a coisas – profissão, status, bens, dinheiro...
• a transformação de pessoas em coisas – dá-se pouco, ou nenhum, valor ao próximo
A ansiedade de buscar sabe-se lá o quê! Por que se corre tanto atrás de futilidades, de valores passageiros? Não importa, o que vale é continuar correndo, pra não ficar pra trás. A fila anda!
Todos vivem debaixo de grande pressão. No trabalho, no trânsito, nas ruas, nos relacionamentos...
Por volta de 2740 anos atrás, Deus falou através de Isaías ao povo que o abandonou em busca de coisas fúteis.
"Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz?" – Is 55:2 (NVI)
Contextualizando a nós, essa passagem poderia dizer: "Você acredita mesmo que a sua correria vai trazer-lhe alguma satisfação?"
O que é, de fato, essencial a nós? A resposta está no próprio capítulo 55, de Isaías. O texto começa falando: "Venham todos vocês que estão com sede, venham às águas...".
Há um paralelo entre esse texto e o discurso de Jesus, em Jo 7:37: "Se alguém tem sede, venha a mim, e beba."
Ambos falam de:
• um evangelho de graça: "sem dinheiro, sem preço" (vs.1)
• um evangelho de fé: "ouvi e a vossa alma viverá" (vs.2b)
• um evangelho de gozo: "vocês sairão em júbilo" (vs.12)
• um evangelho frutífero: "no lugar do espinheiro, crescerá o pinheiro" (vs.13)
• o evangelho de Jesus Cristo: "os que O procuram, acham; os que O invocam recebem misericórdia e perdão" (vs. 6,7)
Somente em Jesus Cristo encontramos a saciedade para o vazio da alma.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Pessach
Sexta-feira.
Na tradiçao, o dia da morte. Dia sombrio…
Nos leva a pensar na atitude de Jesus, homem, entregando a si proprio em resgate de muitos. Um morreu para que muitos pudessem viver. Sem merecer.
Dia para lembrarmos que esse resgate nos habilitou à vida, ao relacionamento original com o Pai, a uma nova natureza, uma nova identidade. Sua morte não foi em vão, seu propósito reconciliador foi cumprido, o caminho de volta ao Pai foi disponibilizado.
A nota promissória que pesava contra nós foi saldada. Em Sua morte, que na verdade era nossa, todas as acusações foram eliminadas.
Sexta-feira sombria para os discípulos que não podiam entender o que se passava. Para nós, quebrantamento e gratidão! Muito obrigado, Senhor!
Sábado.
Solitude. "Está consumado" ecoou como tudo acabado: o sonho, a esperança, a perspectiva de um reino justo, de liberdade e paz. Eles esperavam o shalom, o estado de paz integral que só conheciam pelos votos.
Os sentimentos foram confusos: frustração, decepção, angústia, depressão, raiva, compaixão, pavor...
Tempo de recesso, resguardo, de vagar pelos porões da alma em busca de refúgio e respostas.
Restava encarar a dominação romana e sua força opressora, e seguir a rotina da vida. Sem vida.
Teria sido ele mais um entre tantos cristos?
Havia algo em seu olhar que ia além das palavras. Que penetrava no mais secreto do íntimo, que trazia a alma ao avesso sem expo-la publicamente. Não era um homem qualquer. Dele fluía vida. A morte não lhe cabia...
Silêncio, sombras, frio, solidão.
Mas, alguma coisa acontecia onde os olhos não viam. Nas regiões espirituais havia um alvoroço entre as hostes malignas, os gestores da morte, com brados de vitória: "O Filho de Deus, derrotado, está sob nosso poder!"
Só então se aperceberam que Ele não tinha do que ser acusado!
O sábado estava chegando ao fim.
Domingo.
O primeiro dia da semana começava profundamente triste. Enquanto os discípulos tentavam seguir suas vidas, um grupo de mulheres quis visitar o túmulo levando especiarias para ungir o corpo de Jesus. Foram surpreendidas pela visão do túmulo aberto. "Violaram a sepultura!" Não se deram conta de que a profecia e as próprias palavras do Mestre se cumpriram. A tumba estava desabitada!
Contrariando as leis naturais, um homem voltou da morte. Não mais num corpo perecível, mas num corpo glorificado. As imagens do flagelo estavam muito recentes na mente dos discípulos para que eles pudessem reconhecê-Lo. Além disso, para eles, Ele estava morto.
Pouco a pouco Jesus apareceu-lhes. Inacreditável! Uns viram e creram. Outros precisaram questina-Lo, toca-Lo, abraça-Lo. A partir dali, Suas palavras ganharam novo sentido. Ele era verdadeiramente o Messias, Aquele que viria para resgatar o homem da sua miséria, do inferno do seu coração. Era Ele!
Em Sua morte e ressurreição, Jesus Cristo visitou a história humana desde o momento em que o homem decidiu seguir seus próprios caminhos e interesses, desfigurando em si mesmo a essência e o caráter do Pai. Ele nos ofereceu um novo modelo de vida, resgatada da morte, redimida para a eternidade.
Aqueles que foram testemunhas oculares do que aconteceu naqueles dias em Jerusalém, foram privilegiados. Nós, hoje, podemos crer através da transformação que o Seu poder opera em nós. Vai muito além da religião, da crendice, dos rituais e costumes. É algo sobrenatural, sobre-humano, além do que podemos entender hoje, mas absolutamente real.
O cordeiro pascal foi morto. O Cordeiro de Deus ressuscitou, para que nós pudéssemos ter vida, plenamente.
Feliz páscoa!
Copyright © 2014 Daniel Belmont Filho
Na tradiçao, o dia da morte. Dia sombrio…
Nos leva a pensar na atitude de Jesus, homem, entregando a si proprio em resgate de muitos. Um morreu para que muitos pudessem viver. Sem merecer.
Dia para lembrarmos que esse resgate nos habilitou à vida, ao relacionamento original com o Pai, a uma nova natureza, uma nova identidade. Sua morte não foi em vão, seu propósito reconciliador foi cumprido, o caminho de volta ao Pai foi disponibilizado.
A nota promissória que pesava contra nós foi saldada. Em Sua morte, que na verdade era nossa, todas as acusações foram eliminadas.
Sexta-feira sombria para os discípulos que não podiam entender o que se passava. Para nós, quebrantamento e gratidão! Muito obrigado, Senhor!
Sábado.
Solitude. "Está consumado" ecoou como tudo acabado: o sonho, a esperança, a perspectiva de um reino justo, de liberdade e paz. Eles esperavam o shalom, o estado de paz integral que só conheciam pelos votos.
Os sentimentos foram confusos: frustração, decepção, angústia, depressão, raiva, compaixão, pavor...
Tempo de recesso, resguardo, de vagar pelos porões da alma em busca de refúgio e respostas.
Restava encarar a dominação romana e sua força opressora, e seguir a rotina da vida. Sem vida.
Teria sido ele mais um entre tantos cristos?
Havia algo em seu olhar que ia além das palavras. Que penetrava no mais secreto do íntimo, que trazia a alma ao avesso sem expo-la publicamente. Não era um homem qualquer. Dele fluía vida. A morte não lhe cabia...
Silêncio, sombras, frio, solidão.
Mas, alguma coisa acontecia onde os olhos não viam. Nas regiões espirituais havia um alvoroço entre as hostes malignas, os gestores da morte, com brados de vitória: "O Filho de Deus, derrotado, está sob nosso poder!"
Só então se aperceberam que Ele não tinha do que ser acusado!
O sábado estava chegando ao fim.
Domingo.
O primeiro dia da semana começava profundamente triste. Enquanto os discípulos tentavam seguir suas vidas, um grupo de mulheres quis visitar o túmulo levando especiarias para ungir o corpo de Jesus. Foram surpreendidas pela visão do túmulo aberto. "Violaram a sepultura!" Não se deram conta de que a profecia e as próprias palavras do Mestre se cumpriram. A tumba estava desabitada!
Contrariando as leis naturais, um homem voltou da morte. Não mais num corpo perecível, mas num corpo glorificado. As imagens do flagelo estavam muito recentes na mente dos discípulos para que eles pudessem reconhecê-Lo. Além disso, para eles, Ele estava morto.
Pouco a pouco Jesus apareceu-lhes. Inacreditável! Uns viram e creram. Outros precisaram questina-Lo, toca-Lo, abraça-Lo. A partir dali, Suas palavras ganharam novo sentido. Ele era verdadeiramente o Messias, Aquele que viria para resgatar o homem da sua miséria, do inferno do seu coração. Era Ele!
Em Sua morte e ressurreição, Jesus Cristo visitou a história humana desde o momento em que o homem decidiu seguir seus próprios caminhos e interesses, desfigurando em si mesmo a essência e o caráter do Pai. Ele nos ofereceu um novo modelo de vida, resgatada da morte, redimida para a eternidade.
Aqueles que foram testemunhas oculares do que aconteceu naqueles dias em Jerusalém, foram privilegiados. Nós, hoje, podemos crer através da transformação que o Seu poder opera em nós. Vai muito além da religião, da crendice, dos rituais e costumes. É algo sobrenatural, sobre-humano, além do que podemos entender hoje, mas absolutamente real.
O cordeiro pascal foi morto. O Cordeiro de Deus ressuscitou, para que nós pudéssemos ter vida, plenamente.
Feliz páscoa!
Copyright © 2014 Daniel Belmont Filho
quinta-feira, 20 de março de 2014
Diga ao meu povo que marche!
"Moisés, porém, respondeu ao povo:
não temais; aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que, hoje, vos fará;
porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver. O Senhor
pelejará por vós, e vós vos calareis. Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a
mim? Dize aos filhos de Israel que marchem!" Ex 14:13-15
Um dos episódios muito conhecidos do
Antigo Testamento, a libertação do povo cativo no Egito, liderado por Moisés,
quando chegou diante do mar Vermelho tendo o exército opressor em seu encalso,
encurralado, sem ter por onde fugir, parecia que chegara ao fim sua escapada.
Morrer pela espada ou pelas águas do mar?
Mais uma vez, podemos contextualizar um
fato passado, na nossa realidade. Muitas vezes nos deparamos com situações nas
quais não vemos saída e nos sentimos encurralados, indefesos e impotentes.
Mas, Deus estava presente com Seu povo
ali diante do Mar Vermelho. O reconhecimento veio através de Davi: "Se o Senhor não estivesse ao nosso
lado... as águas nos teriam arrastado e as torrentes nos teriam afogado."
Sl 124:1,4.
Torrentes de medo, angústia, enfermidade,
abandono, solidão. Diante dessa situação limite, a orientação de Deus a Moisés
foi: diga ao povo que marche, que siga adiante. Interessante é que Ele falou
para marchar na direção do problema e passar pelo meio dele! Ele seria
glorificado pela derrota do inimigo!
Este episódio nos mostra que ficarmos
aterrorizados diante de problemas, por mais difíceis que sejam, não nos trará
nenhuma solução. Deus espera de nós o passo de fé que nos levará ao bom termo. Que
nos lancemos adiante, mesmo que com a alma abatida. Ele se revela aos que nEle
confiam.
Esse episódio fala de fé incondicional,
que não se abala diante das tormentas, na certeza de que o Senhor nos livrará
de todo o mal e atravessará conosco pelo meio dos problemas, sejam eles quais
forem.
Como crentes no Senhor precisamos ousar
mais, crer no que não vemos. Desenvolver a fé que o autor de Hebreus fala:
"Mas o justo viverá pela fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer
nele.” Hb 10:38
Vamos em frente, com coragem, pois o
Senhor é conosco.
Diga ao meu povo que marche!
Copyright © 2014 Daniel Belmont Filho
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