domingo, 9 de março de 2014

Graça e paz

"A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo." Rm 1:7b

Esta é a forma comum com que o apóstolo Paulo saudava os irmãos em todas as suas cartas. As palavras "graça" e "paz" indicam a união dos modos grego e hebraico de saudar.

O grego: “kaíro”, que significa literalmente "alegra-te". O hebraico: "shalom", "paz". Ao unir as duas formas de saudação, Paulo substitui a palavra "kaíro" por outra que tem sonoridade semelhante, "káris", que significa "graça", "favor", um termo que é caracteristicamente cristão. De imediato, essa saudação nos fala da universalidade da salvação que marcou o apostolado de Paulo, ao levar o evangelho aos gentios. A boa nova de que não apenas Israel era o povo escolhido, mas que em Cristo nos tornamos o Israel de Deus, a Sua igreja. Esses dois termos estão recheados de conteúdo teológico e resumem o evangelho da salvação pregado por Paulo.

Graça é o favor imerecido de Deus ao homem – Ef 2:8.

É a fonte da salvação, o favor livre de Deus, independente de qualquer mérito ou obras humanas. Deus redime o homem de modo totalmente à parte de seus méritos pessoais, e não em cooperação com os mesmos, pois a salvação vem pela fé, independente de obras – Rm 3:24,28.

Graça veio significar não somente misericórdia para com quem não a merecia, mas ainda todas as bênçãos dispensadas por Deus. Exprime o amor de Deus exercendo-se livremente e em toda a justiça para com o culpado perdoado. Paz evoca o descanso de Deus concedido a todos aqueles que são objeto de Sua graça. Primeiro a graça e depois a paz, ambos concedidos por Deus Pai, por meio do Deus Filho, na ação do Deus Espírito.

A essência da doutrina da graça é que Deus é por nós, mesmo quando nós mesmos somos contra Ele. A graça de Deus gera a graça no coração do homem tornando-o solidário.

Paulo emprega a palavra "salvos" sempre no modo presente, que indica uma ação contínua – a "salvação progressiva" (santificação).

A graça não é um "programa de doação divino" (não é um "Criança Esperança"). Ela não anula a responsabilidade humana e requer dela uma contrapartida:
·        a entrega da vida a Cristo;
·        a aceitação de Sua morte e ressurreição em seu lugar;
·        uma vida separada para Deus;
·        que leva o homem a olhar para o próximo com graça e misericórdia.

Paz é a consequência da salvação pela graça de Deus, através de Jesus Cristo, pela ação do Espírito Santo.

“Shalom” é um estado de paz e de bem-estar que os homens desfrutam mediante Sua graça conforme vemos em II Jo 1:3 e II Ts 3:16.

A palavra "Shalom" vem da palavra-raíz "Salam", que significa "estar-bem", "estar completo", "são" e "salvo". É a palavra no Antigo Testamento que descreve, melhor que qualquer outro termo, a compreensão hebraica da saúde total. "Shalom" e outras palavras relacionadas, tais como "Shalem", "Shelem" e suas derivadas estão entre os mais importantes termos teológicos do Antigo Testamento. Para o hebreu, a saudação "Shalom" implicava integralidade, totalidade, e um desejo de que os que estavam sendo saudados tivessem saúde física e os recursos espirituais para preencher as suas necessidades em todos os níveis. A ação salvífica de Jesus traz o homem de volta à integralidade:
  • paz com Deus;
  • paz consigo mesmo;
  • paz com os homens,
  • paz com a natureza criada.

Desejar "Shalom" a alguém implicava numa bênção – II Sm 15:27.

Não desejar "Shalom" implicava o oposto, uma maldição – I Rs 2:6.

No Novo Testamento, paz ganha sentido completo. Ela é decorrência da graça de Deus em nós. É fruto da ação salvífica completa de Jesus Cristo, operada em nós através do Espírito Santo, pelo amor do Pai.

A graça opera através do poder do Espírito Santo, o qual convence, converte, favorece a fé, regenera, santifica e glorifica. Quando expressamos essa saudação, estamos fazendo uma profissão de fé declarando nossa submissão a Cristo; que estamos no processo de desenvolvimento progressivo da santidade; sendo transformados por Seu amor; desejando ao próximo esse estado de integralidade.

Deveríamos usar como padrão essa forma de saudação entre nós. Não por uma formalidade religiosa, mas pela consciência de que mesmo não sendo merecedores, somos destinatários dessa graça e conseqüente paz!

Por isso, GRAÇA E PAZ!

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