terça-feira, 2 de setembro de 2014

Adoração

Adoração a Deus não é um momento de culto, realizado no ajuntamento. Isso é celebração coletiva, que tem o seu lugar e momento, numa festa de gratidão e engrandecimento pelo que Ele é. Adoração é viver em comunhão com Deus 24 horas por dia, percebendo Sua presença, entendendo Sua direção, discernindo Sua vontade, pondo em prática Sua Palavra. É viver na rotina da vida, um relacionamento de proximidade com Deus ao ponto de chama-Lo de amigo. É esse tipo de relacionamento para o qual Deus nos convida. Um relacionamento de intimidade, a quem se revela os mais secretos segredos, sem medo ou ressalvas. Quanto mais nos entregarmos a essa relação de amor, mais seremos transformados à Sua imagem. Adorar é reconhecer Sua superlatividade. Superlatividade em amor.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O que você quer que eu lhe faça?

"O que você quer que eu lhe faça?" – Jo 10:51 (NVI)

Diante da oportunidade que Jesus, em Sua graça, nos oferece diariamente, qual é a nossa grande ambição de mudança na vida?

Marcos registra esse episódio, que se repete nos outros sinóticos, com um pouco mais de detalhes. Jesus estava dirigindo-se para Jerusalém com Seus discípulos, seguidos por uma grande multidão. Ao passarem por Jericó, um mendigo, cego, conhecido pelo povo, ao ouvir que se tratava de Jesus, começou a gritar, desesperadamente:

 "Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!"

Interessante o fato de Marcos ter tido o cuidado de nomear a família – Bartimeu, filho de Timeu –, identificando-o como uma personagem histórica, gente conhecida pela comunidade. Lembrando: esse evangelho, que foi a base para Mateus e Lucas, foi escrito por Marcos, primo de Barnabé, (parceiro de Paulo e Pedro nas viajens missionárias) entre os anos 50 e 70 DC, posterior a várias cartas de Paulo e outros textos que circulavam nas igrejas. A família de Bartimeu, provavelmente fazia parte da igreja de Jerusalém e era um testemunho vivo e ocular da ação salvífica de Jesus de Nazaré.

Voltando ao episódio, com seu clamor insistente, Bartimeu foi repreendido pelo povo (não pelos discípulos). Seus gritos incomodavam aqueles que queriam as atenções do Mestre para si, não se importando com a realidade daquele homem com deficiência física, um transtorno, um escória desprezível.

Jesus não o desprezou. Pelo contrário, Ele identificou sua angústia do meio da multidão! Jesus fez parar o cortejo que Lhe dava glória, para atender alguém, para outros, insignificante. Muitas vezes essa glória dada é motivada pelo interesse, pelo desejo de "sair na foto com o ilustre", pela adulação, ou ainda por aqueles que buscam quem lhes satisfará os desejos, os interesses, as ambições que visam "o eu”. Eles estavam buscando o curandeiro, o doador, o distribuidor de favores.

Bartimeu estava buscando Aquele que poderia salvar-lhe e Jesus ouviu o clamor do seu coração!

"Então invoquei o nome do Senhor, dizendo: Ó, Senhor, livra a minha alma."  Sl 116:4 (NVI)

"Ele livrará ao necessitado que clamar". Sl 72:12 (NVI)

Foi a multidão que queria que ele se calasse que lhe disse: "Ânimo, coragem, alegre-se, Ele ouviu seu clamor".

A alegria, a esperança, encheram seu coração e ele levantou-se com um salto. Ele livrou-se de sua túnica, como que querendo desvencilhar-se de tudo o que poderia impedí-lo de dirigir-se ao Senhor. Diferente da multidão, Bartimeu reconheceu Jesus em Sua humanidade e divindade, quando o chamou de Filho de Davi, e como o Ungido, quando identificou Sua procedência de Nazaré, citando uma referência profética. Ele também o chamou de "Raboni", uma versão mais completa de "Rabi", que significa "meu Mestre”. Ele sabia quem era Jesus! Sabia que estava diante de quem poderia salvar-lhe.

Sua necessidade era óbvia, mas Jesus perguntou-lhe: "O que você quer que eu lhe faça?” Jesus queria que Bartimeu expressasse o desejo de seu coração – nisso está a questão da fé, da esperança, das aspirações, de onde está "o tesouro".

A resposta foi: "Meu Mestre, eu quero olhar para cima; poder tornar a ver!” Ele poderia ter pedido muitas coisas; mas o que estava no seu coração, após reconhecer Jesus, era olhar para o Pai. Jesus, a luz do  mundo, lhe trouxe luz para a vida.

Podemos tirar muitas lições desse texto, mas chamo a atenção para a pergunta de Jesus: "O que você quer que eu lhe faça?" Imagine se você estivesse diante de Jesus, hoje, e Ele lhe olhasse nos olhos e fizesse essa pergunta, qual seria sua resposta?

Tentei e continuo tentando apontar qual área de minha vida que eu gostaria de apresentar ao Senhor dizendo: Senhor, por favor, mude isso...

Quero dizer, qual é, ou quais são, as minhas ambições de mudança na vida?

São as que ao serem mudadas, mudam o meu ser, ou são aquelas que mudam apenas a aparência, o superficial, o passageiro, o desejo ou necessidade momentânea?

Jesus, com Sua graça, nos oferece oportunidades todos os dias. Oportunidades de comunhão com Ele, arrependimento, quebrantamento, santidade, cura, vitória sobre o pecado...

E, também, de sonhos, realizações, conquistas de acordo com Sua vontade e soberania.

Diante da oportunidade que Jesus nos concede, que resposta você pode dar ao Senhor: –"O que você quer que eu lhe faça?"

Pense nisso.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Em busca do essencial

O que é realmente essencial em nossa vida? Nos nossos dias o mal que assola a maioria é a ansiedade e a busca de algo que preencha a vida.

Vivemos tempos da "coisificação":

• a adoração a coisas – profissão, status, bens, dinheiro...
• a transformação de pessoas em coisas – dá-se pouco, ou nenhum, valor ao próximo

A ansiedade de buscar sabe-se lá o quê! Por que se corre tanto atrás de futilidades, de valores passageiros? Não importa, o que vale é continuar correndo, pra não ficar pra trás. A fila anda!

Todos vivem debaixo de grande pressão. No trabalho, no trânsito, nas ruas, nos relacionamentos...

Por volta de 2740 anos atrás, Deus falou através de Isaías ao povo que o abandonou em busca de coisas fúteis.

"Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz?" – Is 55:2 (NVI)

Contextualizando a nós, essa passagem poderia dizer: "Você acredita mesmo que a sua correria vai trazer-lhe alguma satisfação?"

O que é, de fato, essencial a nós? A resposta está no próprio capítulo 55, de Isaías. O texto começa falando: "Venham todos vocês que estão com sede, venham às águas...".

Há um paralelo entre esse texto e o discurso de Jesus, em Jo 7:37: "Se alguém tem sede, venha a mim, e beba."

Ambos falam de:

• um evangelho de graça: "sem dinheiro, sem preço" (vs.1)
• um evangelho de fé: "ouvi e a vossa alma viverá" (vs.2b)
• um evangelho de gozo: "vocês sairão em júbilo" (vs.12)
• um evangelho frutífero: "no lugar do espinheiro, crescerá o pinheiro" (vs.13)
• o evangelho de Jesus Cristo: "os que O procuram, acham; os que O invocam recebem misericórdia e perdão" (vs. 6,7)

Somente em Jesus Cristo encontramos a saciedade para o vazio da alma.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Pessach

Sexta-feira.

Na tradiçao, o dia da morte. Dia sombrio


Nos leva a pensar na atitude de Jesus, homem, entregando a si proprio em resgate de muitos. Um morreu para que muitos pudessem viver. Sem merecer.

Dia para lembrarmos que esse resgate nos habilitou à vida, ao relacionamento original com o Pai, a uma nova natureza, uma nova identidade. Sua morte não foi em vão, seu propósito reconciliador foi cumprido, o caminho de volta ao Pai foi disponibilizado.

A nota promissória que pesava contra nós foi saldada. Em Sua morte, que na verdade era nossa, todas as acusações foram eliminadas.

Sexta-feira sombria para os discípulos que não podiam entender o que se passava. Para nós, quebrantamento e gratidão! Muito obrigado, Senhor!

Sábado.

Solitude. "Está consumado" ecoou como tudo acabado: o sonho, a esperança, a perspectiva de um reino justo, de liberdade e paz. Eles esperavam o shalom, o estado de paz integral que só conheciam pelos votos.

Os sentimentos foram confusos: frustração, decepção, angústia, depressão, raiva, compaixão, pavor...

Tempo de recesso, resguardo, de vagar pelos porões da alma em busca de refúgio e respostas.

Restava encarar a dominação romana e sua força opressora, e seguir a rotina da vida. Sem vida.

Teria sido ele mais um entre tantos cristos?

Havia algo em seu olhar que ia além das palavras. Que penetrava no mais secreto do íntimo, que trazia a alma ao avesso sem expo-la publicamente. Não era um homem qualquer. Dele fluía vida. A morte não lhe cabia...

Silêncio, sombras, frio, solidão.

Mas, alguma coisa acontecia onde os olhos não viam. Nas regiões espirituais havia um alvoroço entre as hostes malignas, os gestores da morte, com brados de vitória: "O Filho de Deus, derrotado, está sob nosso poder!"

Só então se aperceberam que Ele não tinha do que ser acusado!

O sábado estava chegando ao fim.


Domingo.

O primeiro dia da semana começava profundamente triste. Enquanto os discípulos tentavam seguir suas vidas, um grupo de mulheres quis visitar o túmulo levando especiarias para ungir o corpo de Jesus. Foram surpreendidas pela visão do túmulo aberto. "Violaram a sepultura!" Não se deram conta de que a profecia e as próprias palavras do Mestre se cumpriram. A tumba estava desabitada!

Contrariando as leis naturais, um homem voltou da morte. Não mais num corpo perecível, mas num corpo glorificado. As imagens do flagelo estavam muito recentes na mente dos discípulos para que eles pudessem reconhecê-Lo. Além disso, para eles, Ele estava morto.

Pouco a pouco Jesus apareceu-lhes. Inacreditável! Uns viram e creram. Outros precisaram questina-Lo, toca-Lo, abraça-Lo. A partir dali, Suas palavras ganharam novo sentido. Ele era verdadeiramente o Messias, Aquele que viria para resgatar o homem da sua miséria, do inferno do seu coração. Era Ele!

Em Sua morte e ressurreição, Jesus Cristo visitou a história humana desde o momento em que o homem decidiu seguir seus próprios caminhos e interesses, desfigurando em si mesmo a essência e o caráter do Pai. Ele nos ofereceu um novo modelo de vida, resgatada da morte, redimida para a eternidade.

Aqueles que foram testemunhas oculares do que aconteceu naqueles dias em Jerusalém, foram privilegiados. Nós, hoje, podemos crer através da transformação que o Seu poder opera em nós. Vai muito além da religião, da crendice, dos rituais e costumes. É algo sobrenatural, sobre-humano, além do que podemos entender hoje, mas absolutamente real.

O cordeiro pascal foi morto. O Cordeiro de Deus ressuscitou, para que nós pudéssemos ter vida, plenamente.

Feliz páscoa!



Copyright © 2014 Daniel Belmont Filho

quinta-feira, 20 de março de 2014

Diga ao meu povo que marche!

"Moisés, porém, respondeu ao povo: não temais; aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver. O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis. Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem!" Ex 14:13-15

Um dos episódios muito conhecidos do Antigo Testamento, a libertação do povo cativo no Egito, liderado por Moisés, quando chegou diante do mar Vermelho tendo o exército opressor em seu encalso, encurralado, sem ter por onde fugir, parecia que chegara ao fim sua escapada. Morrer pela espada ou pelas águas do mar?

Mais uma vez, podemos contextualizar um fato passado, na nossa realidade. Muitas vezes nos deparamos com situações nas quais não vemos saída e nos sentimos encurralados, indefesos e impotentes.

Mas, Deus estava presente com Seu povo ali diante do Mar Vermelho. O reconhecimento veio através de Davi: "Se o Senhor não estivesse ao nosso lado... as águas nos teriam arrastado e as torrentes nos teriam afogado." Sl 124:1,4.

Torrentes de medo, angústia, enfermidade, abandono, solidão. Diante dessa situação limite, a orientação de Deus a Moisés foi: diga ao povo que marche, que siga adiante. Interessante é que Ele falou para marchar na direção do problema e passar pelo meio dele! Ele seria glorificado pela derrota do inimigo!

Este episódio nos mostra que ficarmos aterrorizados diante de problemas, por mais difíceis que sejam, não nos trará nenhuma solução. Deus espera de nós o passo de fé que nos levará ao bom termo. Que nos lancemos adiante, mesmo que com a alma abatida. Ele se revela aos que nEle confiam.

Esse episódio fala de fé incondicional, que não se abala diante das tormentas, na certeza de que o Senhor nos livrará de todo o mal e atravessará conosco pelo meio dos problemas, sejam eles quais forem.

Como crentes no Senhor precisamos ousar mais, crer no que não vemos. Desenvolver a fé que o autor de Hebreus fala: "Mas o justo viverá pela fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.” Hb 10:38

Vamos em frente, com coragem, pois o Senhor é conosco.


Diga ao meu povo que marche!


Copyright © 2014 Daniel Belmont Filho

domingo, 9 de março de 2014

Descansa minha alma

"Eu amo o Senhor, porque Ele me ouviu quando lhe fiz a minha súplica. Ele inclinou os Seus ouvidos para mim; eu O invocarei toda a minha vida. As cordas da morte me envolveram, as angústias do Sheol vieram sobre mim; aflição e tristeza me dominaram. Então, clamei pelo nome do Senhor: livra-me, Senhor! O Senhor é misericordioso e justo; o nosso Deus é compassivo. O Senhor protege os simples; quando eu já estava sem forças, Ele me salvou. Retorne ao seu descanso, ó minha alma. Porque o Senhor tem sido bom para você!" - Sl 116:1-7

Esse texto fala por si. Frequentemente somos atribulados pelas agruras da vida e nos vemos diante de situações que nos afligem, que tiram a nossa paz. Enfermidades, pressões no trabalho, preocupações as mais diversas, finanças, enfim.

Este Salmo faz parte dos saltérios entoados durante as celebrações da Festa dos Tabernáculos. São cânticos de louvor e gratidão a Deus pelos Seus cuidados sobre o Seu povo. O 116, foi composto por alguém que passou por experiências duras, de morte e angústia, mas que sabia em quem podia confiar. E, no profundo da dor, clamou ao Senhor. 

Faz lembrar do episódio de Jesus com os discípulos, no mar da Galiléia, quando foram pegos por uma tempestade e as ondas cobriam o barco. Eles estavam atravessando a tormenta vislumbrando a morte eminente, até que lembraram que Jesus estava no barco com eles. Então, clamaram por Seu nome. Bastou uma ordem para que a natureza reconhecesse a voz do Criador. A mesma voz que ordenara: "Haja luz!” E, assim, a tempestade cessou e eles provaram a bonança.

O salmista conhecia seu Senhor: misericordioso, justo, compassivo, protetor, salvador. Por isso, com fé, ele pode aconselhar sua própria alma: “Retorne ao seu descanso”. Descanse! Experimente a paz, em meio ao turbilhão, porque o Senhor é bom!

Quando olhamos para a nossa realidade, no nosso contexto, e, assim como o salmista depositamos nossa confiança no Senhor sem ressalvas, provamos de Sua companhia, comunhão e amor.

Descansa, minha alma! O Senhor tem sido bom pra você! Descansa, minha alma! O Senhor está no controle!


Copyright © 2014 Daniel Belmont Filho

Deus, acima dos céus, Deus em nós


"Pois como os céus se elevam acima da terra, ASSIM é grande o seu amor para com os que o temem; e como o oriente está longe do ocidente, ASSIM ele afasta para longe de nós as transgressões." (Sl 103:11,12 – NVI)

O Salmo 103 é um dos hinos de Davi. Um convite ao louvor com alegria a YHWH. Apresenta qualidades e atributos pelos quais Ele deve ser louvado, pelas Suas obras, pelo que Ele é.

Uma das personagens bíblicas mais expressivas e controversas, Davi demonstrou através de sua história, que ele andava com Deus. Que a despeito de seus erros, tinha um coração voltado a Ele. Seus momentos de quebrantamento e reconhecimento em adoração são escancarados. Somente quem vive com o Senhor e experimenta de Sua comunhão no seu cotidiano é capaz disso com tanta paixão.

Davi reconheceu a soberania e a grandeza de Deus, comparando-as à imensidão do universo. E o curioso é que ele, Davi, não tinha noção dessa dimensão, como a ciência já nos revelou. Quando vemos imagens que o homem conseguiu registrar do cosmos, e do quanto somos insignificantes frente à imensidão do universo criado, nos sentimos limitados, pequenos demais, poeira na amplidão.

Mas, infinito mesmo é Deus. Mais, alto que os céus é o Seu amor. E, que amor é esse que nos recebe e acolhe sem restrições. Que a despeito de nossa infidelidade e inconstância, continua nos chamando para a comunhão, para afastar de nós o pecado que nos assedia e constantemente desvia nossos olhos da cruz. Comunhão que nos traz Sua paz, graça, misericórdia, que nos convence e converte, que nos leva a tomarmos cada dia a forma e caráter de Seu Filho, Jesus.

Sem querer, Davi estabeleceu um padrão para nós. Mesmo frente à sua limitação e pequenez, aprendeu pelas suas experiências a reconhecer o Senhor em Sua grandeza. E, ao mesmo tempo, Seu amor de Pai. Assim, nós também podemos experimentar, através da comunhão com Ele, essa relação de proximidade, intimidade, cumplicidade – uma relação de amor, pois Ele está perto, Ele está em nós.


Copyright © 2014 Daniel Belmont Filho